Análise de encaminhamentos a especialidades em uma unidade de saúde da família

Thiago Henrique dos Santos Silva

Resumo


Introdução: ao chegar a nova Unidade de Saúde da família ao final da residência, foi constatado enorme tempo de espera de usuários para acesso às consultas de especialidades médicas. Em uma análise sumária de alguns encaminhamentos, gerou-se a hipótese de que vários seriam condições sensíveis à atenção primária e que poderiam ser resolvidas na própria USF, o que deu inicio a um estudo preliminar.

Objetivos: analisar o tempo de espera para chegar ao especialista; verificar motivos dos encaminhamentos; verificar a sensibilidade de cada motivo à APS; disparar processos de educação permanente e estudos sobre o dimensionamento da necessidade de especialidades na retaguarda da atenção primária.

Metodologia ou Descrição da Experiência: foram analisados todos os encaminhamentos parados das quatro equipes que compõem a USF, e postados numa planilha os seguintes dados: tempo de espera, motivo e sensibilidade à APS. Separamos os motivos em grandes grupos de problemas a fim de facilitar a conclusão para temas em educação permanente; foi utilizado o tratado de medicina de família e comunidade como base para definir condições sensíveis à atenção primária, o que pode ser definido como o rol de competências do médico de família e comunidade; o tempo de espera foi dividido em intervalos de 3 meses e foi utilizado como critério de exclusão os encaminhamentos elaborados por profissionais externos à USF.

Resultados: A experiência com o estudo em curso demonstrou que a maior parte dos encaminhamentos feitos nesta unidade de saúde é composta por condições sensíveis à atenção primária, e dentro do rol de competências do médico de família. Assim, poderiam ser resolvidas neste ponto do sistema sem a necessidade de referenciar para especialidade. Foi visto ainda que a grande quantidade de encaminhamentos desnecessários aumentava consideravelmente a fila de espera por consulta com especialista, com casos de espera há mais de 2 anos. Identificamos também a baixa qualidade das informações contidas nas fichas de referência, dificultando o diálogo clínico entre o médico de família e o especialista.

Conclusão ou Hipóteses: existe uma parte da sobrecarga do nível secundário que é fruto da baixa resolutividade de muitos profissionais que desenvolvem a atenção primária; esta sobrecarga gera uma iniquidade no atendimento aos usuários com longos tempos de espera para consultas; o baixo treinamento dos profissionais que desenvolvem a atenção primaria gera custos desnecessários ao sistema de saúde e usuários.




Palavras-chave


Atenção Primária; Especialidades; Encaminhamentos.

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